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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pule, mesmo que machuque

A vida é engraçada! E de tantas maneiras que fica difícil detalhar. Viver é sempre uma surpresa. O quão genial e pavoroso é isso? Mas, sou daquelas que tem mais medo de se arrepender daquilo que não fez do que das coisas que meti cara, corpo e alma a fazer. Por mais enigmáticos que sejam seus dias futuros, o final desta história todo mundo já sabe. A vida joga limpo, você nasce e ela avisa que este ciclo terá começo, meio e fim.

Tento me lembrar disso na maior parte do tempo. Tem dias que eu esqueço. Tem dias que só quero dormir e me refugiar nos meus sonhos. Tem dias que eu acordo com a maior vontade de me jogar na estrada como se estivesse pulando de bungee jumping. Tem dias que eu acordo como se estivesse indo a um enterro e outros que pulo da cama como se fosse ir à praia. 

A trilha sonora da minha vida seria bem bagunçada, eclética e melancólica. Se fosse um filme, daria dois, um para realidade e outro para todas as coisas que eu imagino. Sou daquelas que vive metade na prática e a outra, nas asas da imaginação.

Tenho medo e, também, coragem. Tenho menos paciência do que gostaria. Brigo mais do que deveria. Aí eu lembro do John Lennon: "Não faz sentido odiar quem a gente ama" e fica tudo bem. Faço a onça dentro de mim dormir, apenas dormir rs. Bater o pé é coisa de criança mimada. Não se pode ter tudo o que se quer, sempre. Tento me acostumar com isso. Difícil mesmo quando a coisa toda não depende só de você. Existe aquele certo alguém. Só que não se engane, nem tente transferir a responsabilidade ao outro, a escolha está nas suas mãos e nunca deixou de estar. Tentar ou desistir, ficar ou partir. Pular? Se jogar? A pílula azul ou a vermelha da Matrix rs? É comigo, é com você! 

"É preciso coragem para viver a vida que se sonha" (filme 'Foi Apenas um Sonho') 


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas ...
Que já têm a forma do nosso corpo ...
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares ...

É o tempo da travessia ...
E se não ousarmos fazê-la ...
Teremos ficado ... para sempre ...
À margem de nós mesmos..."


"Todos estamos viajando no tempo. Tudo o que podemos fazer é o nosso melhor... é aproveitar este passeio maravilhoso!" (filme About Time) 




sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um dia depois do fim, again



Poesia Matemática
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando

ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

Texto extraído do livro "
Tempo e Contratempo
", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Equação perfeita

Ali. Mais uma vez me vi ali sentada na arquibancada da quadra, cenário do nosso primeiro beijo há alguns anos. Eu disse às 20 horas, mas ele chegou vinte minutos mais tarde. Tempo suficiente para as minhas mãos já frias congelarem e o meu corpo começar a tremer e a minha mente querer ceder ao impulso de fugir dele, da incerteza... Do passado.
Eu me programei para estar ali, todos os argumentos para lançar como facas na direção dele estavam na ponta da língua. Me sentia forte quando cheguei, mas fui ficando mais fraca a cada minuto e quando o avistei me olhando a poucos metros de mim, morri. É isso que acontece quando o coração para, não é?
- Oi.
- Oi. Desculpe o atraso.
- Tudo bem. 
Passeamos pelos corredores relembrando as risadas com os amigos, os salgados do tio da cantina, a agonia antes das provas semestrais, a vila do Chaves onde ficam os laboratórios... Tudo era lembrança do que parecia apenas um minuto atrás.
Após lances de escadas e rampas chegamos ao nosso lugar proibido, chegamos ao flagra da inspetora, ao local onde os casais buscam uma privacidade imprópria para um lugar onde as pessoas só poderiam pensar em estudar. Em vez do cigarro vetado por uma faixa vermelha na plaquinha deveria ter um casal se beijando, mas acho que nem assim resolveria. O prazer dos jovens é a rebeldia.
Eu sabia que não conseguiria dizer todo o discurso que repeti um trilhão de vezes mentalmente, mas nem um terço já era demais. Então comecei com as coisas boas, esperando o momento certo de despejar como soda cáustica todas as lágrimas que rolaram no meu rosto por ele... Mas, a cada instante eu queria cada vez menos brigar, cada vez menos manchar com tristeza e desencontros aquele encontro até aqui perfeito. Se fosse para desabar, que fosse nos braços dele. Este pensamento foi crescendo, começou a martelar até chegar ao ponto de uma britadeira e quem consegue ignorar uma britadeira? Foi quando percebi que já estávamos no cantinho atrás da porta de incêndio. Faz todo o sentido este tipo de proteção, pensei. Sorri. Ele sorriu de volta sem imaginar o que eu tinha pensado, mas de alguma forma parecia que tinha entendido.
A cena a seguir deveria ser de fogo e paixão, consequência da saudade avassaladora. Era isso que os nossos olhos diziam, era isso que saía da nossa boca. Meu sangue borbulhava com a adrenalina daquela fantasia antiga como água em ebulição... Até que nossos lábios se tocaram. Foi estranho. Senti como se o mundo parasse, não sentia mais meu corpo, só a nossa respiração. Paramos e nos olhamos novamente. Como conseguimos ficar tanto tempo longe? Naquele momento ele me parecia simplesmente essencial. Senti vontade de chorar com o aperto no meu coração.
Mais uma vez nos beijamos. Agora, de uma forma calma, com ternura no lugar da paixão. Um beijo longo que não queria parar, tendia ao infinito... Quanto tempo? Não sei, me pareceu horas.
- Estar com você aqui é como estar mais uma vez em outra dimensão.
- Eu sei, na nossa dimensão.
Naturalmente, 'o corpo quer, a alma entende'(hummm).   
Eu não disse, mas meus olhos não conseguiram calar: - Eu te amo. 


*Gênero: Crônica. 
 

sábado, 16 de junho de 2012

Sem artigo

"Saudade consome como
Traça consome livro como
Ferrugem consome ferro como
Seca consome água
E,
Devasta coração como
Tempestade devasta plantação como
Furacão devasta cidade como
Guerra devasta paz como
Paixão devasta razão...!!!"





























sábado, 14 de janeiro de 2012

Saudades...


"A saudade é um perigoso Photoshop". Esta frase de Fabrício Carpinejar me motivou a escrever este post. 

O que é a saudade? Pra mim, é a presença constante da ausência. Em geral, é um sentimento bem difícil de se lidar. Talvez a única vez que ela seja doce e desejável é quando vem da nostalgia, das lembranças de infância, de amigos, da escola... 

Ela dói! E, a dor não vem de recordações ruins, afinal, só sentimos saudades daquilo que foi bom, daquilo que nos fez feliz enquanto era presente. Este passado, estas cenas constantes na cabeça, este sentimento latejando no coração, empalidece.

Quando você sente falta de comer aquela bala em que era viciado na infância, você vai ao mercado e compra. É fácil! Mas, e quando a saudade é de alguém que se foi? Foi porque quis ou porque morreu. O fato da pessoa já não estar mais entre nós é o consolo lógico enfiado goela abaixo. Não há remédio. Já quando há possibilidade, quando a pessoa está tão perto e ao mesmo tempo tão longe, a dor chega a ser física. Dói a cabeça, aperta o coração, sufoca a alma. Desmotiva os passos, faz até o despertar para um novo dia ser difícil. É mesmo dramático, mas acho que todo mundo já passou por isso um dia.

A única forma de matar este mal é ir em busca do motivo desta saudade. Aí você descobre que ela serve para maximizar os detalhes do reencontro. Intensifica o olhar, a respiração fica ofegante, o abraço mais demorado, o beijo mais gostoso e eterno. Os segundos se transformam em minutos, que viram horas... É fantástico!

Seria lindo se não fosse este bendito alerta do Carpinejar. Porque a saudade é a fome da felicidade que um dia esteve nos braços de alguém, por isso, ela não lembra dos motivos da partida, dos motivos que levaram a esta distância que hoje resulta em saudade... E, saudades daquilo que poderia ter sido, dói mais!

"Só nos sobrou do amor, a falta que ficou" (Renato Russo)









domingo, 12 de junho de 2011

Ahhh o Amor...



Hoje é Dia dos Namorados. Eu não tenho um, assim como muitas pessoas não tem. Mas, tenho um amor e este é mais raro ainda. O que é o amor? Se alguém um dia disser que entende este sentimento pode ter certeza que é Deus ou nunca o viveu. É impossível entender porque ele se transforma e te transforma a todo momento. Você se perde, você se encontra. Principalmente se este amor vem acompanhado pela paixão. Se o amor é cego, a paixão é insana! Só que todo mundo um dia na vida deveria experimentar desta loucura. Não procure, você não escolhe, ela acontece!

É possível se apaixonar por mais de uma pessoa? Claro que é! Eu sou apaixonada por tantas coisas ao mesmo tempo, amo tantas pessoas e cada uma delas de um jeito. Só que o difícil é quando o coração fica dividido... Vem o sofrimento e a confusão, mas não se assuste. Ainda assim viva e siga seu coração porque 'amar não é ter que ter sempre certeza'.    

Nada na vida é constante. Se fizéssemos o gráfico dos nossos dias seria uma senoide e é exatamente isso que faz a vida ser tão dolorosamente gostosa. Afinal, se não fossem os pontos baixos não viveríamos os picos de prazer, adrenalina, amor, paixão, tesão... loucura!

Seja enamorada pela vida! Ame e ame muito sem pudor, nunca é feio amar. Ainda que ninguém além de você aprove este amor. Porque a sua vida só você pode viver, ninguém mais do que você vai se lamentar por aquele beijo que não roubou, por aquele dia que o 'eu te amo' ficou na ponta da língua e a coragem te abandonou na hora de pronunciar... Acorde aos 70 anos com a certeza de que nunca desistiu sem tentar, que sofreu, chorou por horas no telefone com a sua melhor amiga, que disse nunca mais inúmeras vezes... Mas, que beijou quando ninguém olhou, que fez amor depois que brigou, que perdoou e disse o que sentia sem medo de parecer ridícula.  

Afinal, já dizia Vinícius de Moraes, "a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida".

Feliz Dia dos Namorados... Casais e enamorados!!!




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